Guilherme Ribeiro

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Doencelência

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Até que ponto bons hábitos são apenas bons hábitos e não doença? Rs…

Eu, funcionário público que sou, e consciente da péssima imagem – totalmente compreensível – que a minha ‘raça’ – como dizem por aí – tem perante a sociedade, sei quão necessário se faz prestar um serviço de qualidade, que ao menos justifique o alto preço do pato que a população paga com a carga tributária brasileira, estratoférica que é.

Sei que pareço demagogo com todo esse discurso. Até me pego pensando nisso agora e concluo que não, não é mero discurso, é verdade.

Trabalhando no INSS, sei que cada processo que chega até ou passa pelas minhas mãos é parte da vida de uma pessoa, parte essa de suma importância. O futuro dela pode ser destruído num simples descuido meu ou de qualquer servidor.

É comum me observar conferindo e reconferindo os dados de um processo considerado simples se comparado aos de outras rotinas. Passo os olhos várias vezes pelos mesmos campos, confiro o que já foi feito por todos que ali puseram as mãos e acreditem: a quantidade de erros que encontro fazendo essa conferência… Só eu sei! Erros de formalização, erros de digitação, erros de datas, absurdos!

Não bastasse a disposição pra caçar pelo em ovo, agora inventei de ser multitarefa!

Meu! Ninguém atende telefone naquele lugar! Voltei a trabalhar tem pouco tempo – estava afastado por conta do transplante de córnea – e fiquei impressionado com o dom que as pessoas dali tem de simplesmente ignorar a existência do aparelho de telefone que toca incessantemente. Comecei a atendê-lo e adivinhem: agora comecei a resolver problemas de outras rotinas e alçadas, é claro! Segurados ligam sobre os mais variados serviços e corro a agência à procura dos por ela responsáveis e de suas respectivas respostas…

Definitivamente eu dou passos maiores que minhas pernas!

Aquele conceito de Einstein de que a mente que se expande a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original também se aplica a esse caso. Modéstia à parte, o grau de excelência que atingi no desenvolver das minhas funções não é algo do qual posso me abster assim facilmente. Meus superiores indiretamente já me criticaram pelo excesso de zêlo, mas nada me convence de que “temos pouco pessoal, por isso não há tempo para um trabalho perfeito”. Sempre há! Trabalho imperfeito é igual a retrabalho. Um processo mal concedido hoje é o mesmo que gera um recurso, revisão ou auditoria amanhã…

Não sei até que ponto me afeta essa busca incessante pela perfeição. Sei que as oito horas diárias já não me bastam para dar prosseguimento aos processos analisados pelos médicos, aos que serão enviados e aos que retornaram da Junta de Recursos, à caça aos processos perdidos em arquivo e para deixar formalizados os processos para análise dos peritos no dia seguinte… Estou trabalhando uma hora a mais… E sem recebê-la!

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Written by Guilherme Ribeiro

01/07/2009 at 21:54

Publicado em auto-análise

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