Guilherme Ribeiro

Not just another WordPress.com weblog

De bubuia no flutuante

leave a comment »

Flutuante EcoLazer III

A manhã foi de ressaca braba, bravamente enfrentada no café da manhã – brincando de alquimia com os sucos de frutas locais na tentativa de descobrir a cura desse mal. Sem sucesso, me rendi à tradicional Coca-Cola.

O dia era de diversão prometida ao longo da semana: colegas de uma filial local alugaram um flutuante para todo o sábado, e gentilmente nos convidaram aos membros do projeto.

De nome um tanto óbvio, o flutuante é nada mais que uma casa, geralmente de madeira, construída sobre troncos de madeira – acaçu, quase sempre -, alguns deles com quase um metro de diâmetro, alinhados e fixados lado a lado.

O flutuante é opção de moradia para muitas famílias amazonenses desde a década de 1920. O tempo de construção é curto (cerca de quarenta e cinco dias) e o custo, de certo modo, acessível: uma boa casa, com cerca de cem metros quadrados de área, é construída por algo em torno de 70 mil reais – já incluída nesse valor a mão de obra. Segundo um morador da Comunidade Catalão, a casa tem vida útil de pelo menos 30 anos – metade desse tempo sem necessidade de grandes manutenções. A energia elétrica chega por baixo d’água, e fica a cargo de fiações tubuladas; já o abastecimento de água, bem, não demanda muito encanamento – apenas um bomba que a leve do ‘chão’ à caixa d’água.

Ecolazer III

A casa de nome acima, alugada para a ocasião, era simples: sala, cozinha e banheiro, apenas. Uma varanda coberta dava acesso ao deck que, como qualquer outra extremidade da casa, dá acesso ao rio. O acesso aos flutuantes, portanto, se dá unicamente a não ser por barco.

Ao custo de cinco reais por cabeça, partimos de lancha da Marina do Davi, um pequeno porto local, caótico pelo entra e sai de pessoas e embarcações.

A equipe da filial que ali se reunira é como uma verdadeira família. Se dão todos muito bem – algo raro de se ver em unidades do serviço público, sei bem. Muito receptivos e simpáticos, estavam realmente alegres em nos receber e fazer-nos sentir-se à vontade. Desta família, aliás, as matriarcas foram as incumbidas de garantir o arroz fresquinho, o vinagrete e as farofas – fina, de mandioca e a tradicional da região, de Uarini. Os patriarcas, do outro lado, cuidavam da churrasqueira que fez a alegria de todos, principalmente da colega gaúcha de projeto que há semanas ansiava um belo churrasco. A tradição local incluiu ainda um belo tambaqui, assado inteiro na brasa – que gentilmente recusei dada a minha parca afinidade com os pescados.

Banho de rio

Atração principal de todos os flutuantes, as águas do Rio Negro nunca desapontam. A temperatura sempre agradável é constantemente convidativa ao mergulho, e torna secundária a vontade de se estar em terra firme – embora o uso de boias ou de boa habilidade com o nado seja obrigatório, dado que a profundidade ali, segundo os especialistas de plantão, beirava os 70 metros. É um belo exercício para as pernas que, instintivamente não param de se mover, como que prezando pela manutenção da vida, rs…

A calmaria do rio é apenas de leve e ocasionalmente perturbada pelas embarcações que circulam nas proximidades, causando o fenômeno dos banzeiros:  pequenas ondas pluviais que acabam por transmitir um sutil balançar aos flutuantes e aos banhistas que estão de bubuia – também do vocabulário local, de bobeira, à toa, a boiar na água.

O sol predominou em boa tarde do dia. Só se escondia por detrás dos aviões que cortavam o céu e subiam e desciam às pistas do aeroporto – situado bem próximo – ou pelas rápidas chuvas que em nada atrapalharam a diversão.

A tarde foi coroada pelo tour aquífero, gentilmente  fornecido por um conhecido, dono de uma bela lancha dotada de poderosos 320 hp de potência. No passeio pudemos admirar, além das casas de “praia’ de grandes empresários do estado, as praias de água doce quase desertas da região e, de quebra, um restaurante-avião, o Aero River, ideia de algum maluco local.

Restaurante Aero River

Atualização [07/09/2017]: As coxas sentem bem esse trabalho de sobrevivência nos dias que se seguem, tornando o simples subir de escadas uma tarefa torturante.

Anúncios

Written by Guilherme Ribeiro

05/08/2017 às 23:22

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: