Guilherme Ribeiro

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Tacacá com tucupi

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Sábado ressacudo pós happy hour no Eldorado, de muita preguiça – tamanha a ponto de abrir mão do café da manhã do hotel, servido até às dez.

Depois de almoçar, cedo, para compensar a refeição perdida, saí para uma caminhada no entorno. Na Praça São Sebastião, defronte ao Teatro Amazonas, curti a sombra. Sondei a programação da casa, prometi voltar na terça, dia de apresentação gratuita…

Na volta, achei divertida uma placa que trazia os dizeres “Local Food Here”. A mensagem é eficaz – me fezatravessar a rua e conferir o cardápio (que, como imaginei, era repleto de peixes de todos os nomes…).

Perguntei sobre um que trazia charque – uma entre as três únicas opções sem peixe. Volto à noite.

No caminho, uma roda de choro no Bar Caldeira rendeu o assento e três cervejas – me senti no Rio. Uma senhora já de certa idade em vestido elegante, cabelos bem arrumados num coque, e ornada por grandes pérolas em longo cordão que dava voltas no pescoço sambava – e respeitosamente mexia com os homens à sua volta. É conhecida. De mesa em mesa cumprimentava os fregueses, e repetia o ritual: apoiando sobre a mesa o copo de cerveja que segurava com a mão esquerda, estendia aos clientes a mesma mão, enquanto indagava se éramos bem ou mal atendidos. Ouvindo a resposta que esperava, respondia: “estamos aqui pra isso”. Aparentemente uma atrofia lhe impedia o uso da mão direita.

IMG_20170729_203939687À noite, voltei a Tacacaria Amazônia, o tal local food here. O prato que me interessara, o Tacacá de Charque foi o pedido, acompanhado de suco, já que “o refrigerante pode atacar a parte gástrica, por que o prato é meio forte”.

O tacacá é um prato bastante típico em Manaus, tanto que é vendido até mesmo na praça, em quiosques… Servido numa cuia arredondada, de espessura bem fina e superfície trabalhada, vem apoiada sobre um cesto que a impede de tombar. Sobre o prato, uma colher e, mergulhado no caldo, um palito de ponta afiada, como os de churrasco. Curioso, logo perguntei o porquê do palito. O simpático garçom, cujo nome me esqueci, explicou que o palito é usado para espetar os pedaços de peixe, charque ou camarão – conforme o pedido – e também para as folhas de jambu (às vezes grafado jamboo, uma erva típica da Região Norte, rica em nutrientes, com propriedades medicinais e anestésica – essa última, comprovadamente verdadeira: ao comê-la, o adormecido da língua é imediato, mas de curta duração). O caldo, que também traz tucupi na composição – espécie de molho apimentado, feito com a goma da mandioca -, continuou o simpático garçom, é tomado diretamente na cuia – tornando a colher desnecessária, fornecida apenas por preferência de alguns turistas mais conservadores.

Uma volta na praça, movimentada pelo show comemorativo dos 50 anos da Blue Birds Band, completou a noite de clima agradável. A volta pro hotel foi desviada pela vontade de sobremesa: banana frita com sorvete, servida no Vitrine do Açaí, foi a escolhida.

Boa noite.

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Written by Guilherme Ribeiro

29/07/2017 às 22:08

Publicado em _culinária, _viagem

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