Guilherme Ribeiro

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Tucumã

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tucumã.JPG

 

Na rua logo atrás do hotel descobri um pequeno restaurante, de fachada tímida, mas que me pareceu aconchegante. Vitrine do Açaí era o nome, cujo banner logo à porta prometia culinária regional.

Era minha primeira noite em Manaus, então considerei  a oportunidade de conhecer algum lugar que considerasse limpo e agradável para “me fixar”. Virou praticamente minha cozinha, já que o hotel não oferecia estrutura aos hóspedes (com microondas, fogão, etc., como nos hostels).

Me sentei e, correndo os olhos pelo cardápio, rapidamente identifiquei um trivial filé de frango com arroz e feijão – minha pedida para o dia, não quis arriscar.

Enquanto esperava o prato pude detalhar todas as demais opções – entre elas uma tapioca vendida a R$ 5,00. Perguntei sobre os recheios e o rapaz me informou que era servida pura. “Sem nada? Só a massa?” – “Sim, uê”, ele me respondeu, emendando em seguida: “mas tem com recheio de tucumã também”. Alérgico como sou, prontamente respondi: “é, só que eu não como peixe…”. Aos risos, Nei me explicou que tucumã era uma fruta local, muita consumida pelo amazonense. Explicou, enquanto gesticulava, que se tira a casca, não sei o quê lá… Surpreso, falei que não conhecia, perguntei se era boa a mistura e seu uso como recheio – o que prontamente o levou até a cozinha para buscar um para ‘me apresentar’. Voltou cabisbaixo, chateado: “tem não, rapaz, vou ficar lhe devendo”. Aliviei a situação, alegando que não havia problema, que retornaria no dia seguinte para experimentar…

No mesmo instante, um dos garçons – que, suspeito, seja seu filho – entrou pela porta. Cochichou com ele algo do tipo “vá até o fulano ali, que eu vi que tava descascando uns tucumã e traga aqui que o rapaz quer ver” e sorrindo me disse que estava providenciando o tucumã. Achei gentil…

Passados alguns minutos, entra o menino. Nas mãos, um guardanapo, cuidadosamente carregando umas lascas – como uma tira de casca de laranja bem tirada, que começa a espiralar. Agradeci e pus sobre a mesa, sem graça, dado que o garçom-talvez-filho havia entendido errado: me trouxe a casca, falou que o fulano estava descascando e que eu queria ver, ora, então me trouxe a casca. Percebendo meu receio, chegou até a mim. De pronto comentei, enquanto sorria amarelo: “o rapaz trouxe a casca”. Nei riu de novo: “oxi, hôme, n’é a casca, não! O tucumã vai tirano assim, de lasca!” Ri junto dele e então provei.

De sabor levemente adocicado, ora lembrando o do amendoim, ora indecifrável, o tucumã tem textura firme, mas macia, bastante agradável. Aprovei…

IMG_20170726_200641606.jpgNo dia seguinte, como prometido, voltei.

Pedi então a Tapioca Caboquinha (que além do tucumã trazia queijo coalho e banana pacovã, frita, em cubinhos que muito lembrava o bacon, rs.

O troço era monstruoso. Muito recheio. Comi feliz, acompanhada de uma xícara de café com leite, como rege a tradição local.

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Written by Guilherme Ribeiro

26/07/2017 às 21:45

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