Guilherme Ribeiro

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#morandosozinho

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E não é que, depois de mais de dois anos, o bom filho – à própria casa – torna?
Própria casa mesmo! Explico: venho aqui dividir com vocês minha mais recente iniciada experiência: morar sozinho…


Depois de vinte e seis primaveras, achei que era, não chegada, mas passada, a hora de sair de casa, e confesso, foi bem parecido com o que tão bem diz aquela música do filme dos filhos de Francisco.

A casa

Nossa! Como foi difícil encontrar ‘a’ casa. E olha que quando digo ‘a’ não é porque estava á procura de uma sensacional, cheia de firulas e pseudo-itens-que-valorizam-o-imóvel. Queria apenas uma que satisfizesse necessidades básicas, como as por uma vaga de garagem e localização minimamente decente, e claro, pelo valor ‘x’ que estipulei como o máximo para não desequilibrar o financeiro, dia desses estabilizado que fora.
ACHEI! Ótima localização, independente, vaga de garagem, no talo do que podia desembolsar no mês a mês, reformadinha, confortável, arejada e bem iluminada… Reservei com o corretor de imóveis, que me pediu resposta definitiva até ás 17h do mesmo dia.

Entrei em reunião às 16h.
Saí às 17h15 de celular em mãos… e sem bateria.
Corri até o carro, pluguei no carregador ligado à tomada do painel e dei contato com a chave. Liguei para o corretor 17h30: “sinto muito, Guilherme. Você ficou de ligar…”

Estaca zero…

Intensa pesquisa, centenas de fotografias mal tiradas e pessimamente dispostas em sites igualmente pobres, visualmente falando – o que por si só pode suscitar um mercado carente de profissionais de design que estejam começando – filtradas em minutos e mais minutos de tira-dúvidas via fone, chego noutra casa: perfeita como a outra – exceto pelo ‘reformadinha’: estava horrível! Mas mais barata, quase 25% mais barata, para ser mais claro.

É esta!

E entrega papelada. E convence proprietário de que caução não vale a pena (para mim, é claro!). E arruma fiador. E paga (!) taxa de ‘análise de crédito’ para a imobiliária. E recebe uma ligação: “Guilherme, sinto muito, mas a proprietária recuso a proposta”. “Mas eu não fiz proposta! Vou pagar exatamente o que ela pediu!”. “Não sei, ela não quis entregar os documentos, desculpe”.

Estaca quase-zero… Já tenho contato de corretores e imobiliárias às dúzias!
E mais telefone pendurado entre orelha e ombro…

Corretora me liga e diz que encontrou casa. Deu até o endereço: a mesma da tal ‘proposta recusada’.
“Tãnia, não vou aí entregar quaisquer documentos até ter certeza de que ela quer mesmo alugar…”. “Não. Que nada! Vem pra cá.”. “Não”, mas vou…
Toca corretora e dona da imobiliária para casa da proprietária que recusa propostas que ela mesmo formula.

Você já veio aqui – diz a proprietária, com olhar de satisfação – sabia que voltaria, gostei de você.

Aí dá dela explicar que não recusou nada, que apenas não tinha condições de regularizar escritura registrada enquanto Osasco ainda era bairro, nem de ir a cartório reconhecer firma ou tirar cópias supervalorizadas autenticadas. Em consenso, locadora e imobiliária resolvem a questão – nem sei como, mas assinado o contrato, chaves na mão.
Confesso que não estar ‘reformadinha’ é generosidade. Tetos imundos, paredes idem. Bolhas de tinta sobre tinta de má qualidade em produto e serviço executado, torneiras espanadas e/ou com vazamento, espelhos de tomadas de 3 ou 4 padrões ABNT/NBR anteriores ao atual e instalação elétrica de mesma idade…


Aprendi muito sobre interdependência. Ironicamente, aprendi pouco antes de morar sozinho, onde isso não faz mais tanta diferença, já que é você quem deve pagar as contas, cozinhar, lavar, limpar, cuidar – coisas do tipo. Mas aprendi. Muita gente ofereceu – e eu aceitei – ajuda. Ajuda com a massa corrida, com as lixas, tintas, jornal cedido para a forração do piso, com a – pesada – limpeza – da sujeira pré-existente e recém-produzida… Ajuda com a mudança: com direito a veículo e carregadores não-profissionais igualmente gratuitos.
Minha terapeuta, com certeza, orgulhou-se dessa coisa de nem precisar pedir, mas receber ajuda. Ajuda para o cara que geralmente está ajudando, mas nunda é ajudado, e não porque não precisa, mas porque nunca soube pedir.

Chuveiro instalado pelo serviço à residência do seguro automotivo (que, sem trocadilhos, é uma mão na roda), idem para as torneiras pinga-pinga. Espelhos e fiação básica trocada à base de choques de diversas intensidades e rejuntes limpos após leve tontura dos produtos à base de cloro…

Básico pronto.


Paredes e teto brancos como um dia foram; minha parede verde, verde como nunca foi… E agora?
Bora ‘preencher’ a casa…

De que precisa, de imediato, um solteiro sozinho? Cama, cômoda e TV já tinha. Geladeira e micro-ondas comprei através de um contato, de funcionário de uma das empresas de eletrodomésticos. Fogão temporariamente driblado pelo grill emprestado.

Móveis?

Alguém me sugeriu tentar os usados, “porque garimpando, se acha coisa boa”. Procede. Fui primeiro à Casa dos Usados, onde comprei um criado-mudo, quatro cadeiras de jantar, itens de cerâmica, castiçal e algumas telas e gravuras. Tudo em perfeito estado de conservação. Já no Mercatudo, para as já compradas cadeiras encontrei uma bela mesa redonda, em madeira maciça bem trabalhada, meio provençal, além de armário para a cozinha, mesinha lateral, cadeira giratória para escritório e mais dois criados-mudos bem retrô, de um verde forte que me cativou.

Móveis (todos usados)

Móveis (todos usados)

A sala ganhou móveis novos, inclusive de escritório, presente da mamãe que sabe depois que cresce
o filho vira passarinho e quer voar. Sem sofá, tinha por assento o pufe preto, fruto de gentil cessão de meu irmão – que, na verdade, não o usava havia anos! Ganhou recentemente a companhia do Rafão, outro pufe, este maior e confortabilíssimo, que começara a vida como urso de pelúcia – criação e presente da Kita, grande amiga, que batizara o pufe em homenagem ao maridão igualmente gente boa, Rafael. Kita também me cedeu objetos de decoração e utensílios de cozinha, embora ainda me deva o filtro de sonhos artesanal que faz.

Copos americanos, perfeitos para a cerveja, taças para vinhos e frisantes – tudo bem barato em qualquer lojinha de UD, mas mais baratos na rede atacadista Assai. Pratos e talheres também da mamãe, que os guardara para uma futura casa, a ser construída no interior de Minas Gerais – seu sonho de aposentadoria.

Cerveja gelada e praticamente sócio da boa pizzaria da região: portas abertas aos amigos, que quase sempre se revezam nas sempre bem-vindas visitas.

Em suma, posso dizer que a experiência é única: o silêncio, necessário à função de jornalista home office, é impecável. A liberdade, as coisas que e como você gosta, onde e quando você quiser, e o amadurecimento, inevitável: não há espaço para nojinhos e frescuras: se necessário, escovem-se as paredes da privada, tiram-se cabelos do ralo do chuveiro e restos de comida do ralo da pia. O lixo precisar estar no portão, a toalha molhada, no varal, a louça precisa ser lavada, e a energia elétrica, economizada. Aos que pensam na hipótese: parem de pensar e simplesmente tentem, a experiência, repito, é unica!

Aos poucos pega-se o ritmo: Pasme! Hoje, até marmita fiz pra mim!
Eu, o preguiçoso de ontem, acordou mais cedo, só para cozinhar…

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Written by Guilherme Ribeiro

31/10/2012 às 20:54

12 Respostas

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  1. Adorei Gui! Você escreve muito bem… Não demora muito pra fazer isso de novo ok? Bj

    Zezé Guimarães

    31/10/2012 at 21:28

  2. Parabéns duplamente, meu querido – pelo texto e pela nova etapa de vida.

    Ellen Neymei

    31/10/2012 at 21:56

  3. parabens gui é isso ai boa sorte nessa nova fase.

    Luciano Araujo

    31/10/2012 at 22:02

  4. Fenomenal Gui!!!! preciso ir ai conhecer ainda!!!! Abracao maninho!

    Filipe Ribeiro

    01/11/2012 at 06:29

  5. Fã da sua iniciativa e maturidade…Feliz vida a vc…sempre!

    Marisa Arruda

    04/11/2012 at 11:24

  6. Parabens Gui Pelo texto muito bem explicado, vc me covenceu, Deus te abençôe, nessa nova vida, bjs da BA

    Rose Mary Ghazal

    04/11/2012 at 21:42


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